Cura Gay? Um retrocesso para o presente e o futuro do sexo!

Em setembro de 2017, saiu uma liminar da Justiça permitindo que psicólogos trabalhem “terapias de reorientação sexual” com seus pacientes. Esta liminar trouxe a indignação de muitos, inclusive do próprio Conselho Federal de Psicologia que a repudiou veementemente, e ainda, reacendeu uma antiga proposta de grupos conservadores, a chamada cura gay.

Por esse motivo, vamos, no artigo de hoje, inflamar um pouco o debate sobre a cura gay e trazer um luz sobre o assunto para o futuro do sexo.

Cura gay: um problema antigo

O novo sempre assusta e tratar as orientações sexuais humanas com naturalidade e respeito é algo novo em nossa sociedade. Isso porque somos herdeiros de algumas tradições que viam como estranhas e erradas orientações sexuais que não fossem as heterossexuais.

A tradição cristã, por exemplo, foi uma das grandes responsáveis por uma visão restritiva da sexualidade humana baseada na ideia do “Crescei e multiplicai-vos”. Desde Adão e Eva, via-se o sexo como algo pecaminoso, sujo e errado.

O único sexo permitido (e olhe lá!) era o do casal devidamente casado, em seu leito nupcial, adornado por um crucifixo na beira da cama, na posição conhecida como “papai-mamãe”, nome sugestivo ao que deveria ser a única função do ato.

Toda e qualquer forma diferente desse cenário era tida como errada e, muitas vezes, até atribuída à obra de alguma entidade maligna. A fogueira e a excomunhão cuidavam desses transgressores.

No século XIX, a medicina e a ciência tomaram conta do entendimento do corpo humano e, consequentemente, das práticas sexuais. Baseados em teorias pseudocientíficas como o Darwinismo social, cunharam pela primeira vez a ideia do “homossexualismo” atribuindo um caráter de patologia às práticas homossexuais, sendo que o próprio sufixo “ismo” denota a ideia de distúrbio e de aberração (por isso não se usa mais essa palavra!).

Nesse período, as pessoas eram hospitalizadas e podiam até a passar por tratamentos como a lobotomia para passarem pela cura gay.

Apenas em 1990, momento em que a comunidade gay (ainda não se chamava LGBT) lutava por inclusão social, que a OMS (Organização Mundial de Saúde) promoveu a retirada desta relação entre homossexualidade e patologia.

A multiplicidade da orientação sexual humana

Afirmar que a heterossexualidade é uma natureza nos seres humanos é um exagero. Afinal, apesar de sabermos que fazer sexo faz parte de nosso instinto de sobrevivência, há muito perdemos essa conexão, deixando que as regras sociais ditassem mais acerca de nossa sexualidade do que nossa natureza. Ou seja:

 “Não sabemos como é o nosso instinto, nem o que é natural, e muito menos o que é normal”!

Se usarmos a biologia como exemplo, ao observar alguns macacos como os bonobos que são geneticamente quase 99% igual ao ser humano, vemos que eles praticam todo tipo de sexo: fêmea com fêmea, macho com macho, macho com fêmea, e até com filhotes.

Historicamente, tivemos sociedades como a da Grécia Antiga em que a homossexualidade era comum e compreendida como parte da prática pedagógica entre tutores e discípulos.

Ao analisar as práticas sexuais no reino animal e as do próprio ser humano ao longo da história, nota-se que sexualidade humana é múltipla e plural e que muito do que consideramos “normal ou natural”, nada mais é do que o “normativo”, ou seja, aquilo que estamos mais habituados ou acostumados, mas longe de ser “o certo”.

“Sexualidade humana é múltipla e plural, e que muito do que consideramos “normal ou natural”, nada mais é do que o “normativo””

Por um futuro do sexo que inclua com respeito a todxs!

Somos herdeiros de uma sociedade excludente e violenta em relação àqueles que possuem uma orientação sexual que não seja a heterossexual. Os vários níveis de violência aparecem por todos os lados, das piadinhas e humilhações à agressão. O preço disso é que somos o país que mais agride travestis e transexuais no mundo.

Permitir que se compreenda a homossexualidade ou qualquer outra orientação sexual como patologia (cura gay) é um retrocesso perigoso que pode legitimar mais cenários de violência e exclusão.

Além disso, uma liminar como essa não acompanha as principais pesquisas sobre o assunto, que indicam um número cada vez menor de pessoas que se consideram 100% heterossexuais. Inclusive, existe grandes chances que em torno de apenas 1/3 da geração Alpha (nascidos a partir de 2010) que se considerarão 100% heterossexuais.

Orientação sexual é algo que se nasce, não há o que reverter, a única coisa que podemos curar e tratar são os quadros brutais de homofobia e preconceito que vemos em nossa sociedade, e assim, caminharmos para um futuro (e um futuro do sexo) mais inclusivo, respeitoso e fraterno.

E você o que achou do tema do artigo de hoje sobre cura gay? Como você vê esta questão no futuro do sexo? Conte para a gente nos comentários agora mesmo!

Cura Gay? Um retrocesso para o presente e o futuro do sexo!

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- "A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos" (Platão)