Wanna cybersex? A evolução do termo cyber!

Em 2013, Annalee Newitz publicou o artigo The Bizarre Evolution of the Word “Cyber”, que apresenta um panorama histórico do termo (ou do sufixo) cyber ao longo dos anos,. A começar pela sua origem nos anos 1940, quando Norbert Wiener lançou seu importante livro Cybernetics, que trazia de volta à tona uma antiga palavra grega que estava outrora associada a governo ou governança. É por isso que, antes de Wiener, o termo “cyber” só havia aparecido em alguns poucos artigos de teoria política.

A evolução do termo cyber

Wiener foi um importante autor de teoria da informação que influenciou e antecipou o que hoje temos como sistemas computacionais. Nesse contexto, a ideia de governança continua presente ao entendermos computadores como sistemas de autogerenciamento.

Mais tarde, “cyber” se tornou um sufixo para “cyberpunk”, que foi título de um conto de Bruce Bethke. Nele,o escritor narrava sua experiência de ter sido invadido por um hacker, em 1980.

Por outro lado, naquele mesmo período, as pessoas já estavam usando o termo “cyberpunk” como uma gíria, por exemplo, para descrever o estilo musical de Gary Numan.

Em meados dos anos 80, o cyberpunk se firmou como um subgênero da ficção científica que se dedicou a pensar as tecnologias cibernéticas como um desdobramento da obra de Wiener e, portanto, conectado ao universo dos computadores.

Consequentemente, nos anos 90, foi a vez de a cultura pop e o cinema hollywoodiano se apropriarem das ideias e tropos do cyberpunk ao mesmo tempo em que o computador pessoal se tornava mais popular e a internet, mais acessível. Com ela, também vieram os neologismos que novamente transformavam “cyber” em um sufixo múltiplo: ciberespaço, cyberbully, cyberstalker e, finalmente, cybersex ou sexo virtual.

Cena do filme The Lawnmower Man (1992)

Sexo em realidade virtual com corpo geométricos

Em 1992, o filme The Lawnmower Man trazia uma visualização de sexo em realidade virtual com corpos geométricos. Já em 1997, Björk lançava o clipe All is full oflove, no qual robôs têm uma relação íntima, ao mesmo tempo em que vídeos instrucionais também ensinavam como fazer sexo virtual. Naquele momento, o cibersexo era quase uma extensão do telesexo. Porém em salas de bate-papo e em jogos multiplayer em que o texto criava a interação.

Como comenta Newitz, nos anos 90, quando alguém dizia “wanna cyber?” em um chat, não tinha nada a ver com algo como segurança da informação ou computadores, mas sim fazer sexo virtual.

Brinquedos eróticos conectados pela internet

Em um momento de euforia com a internet, não era difícil encontrar entusiastas dos teledildonics. Isto é, brinquedos eróticos conectados pela internet e que receberiam estímulos enviados por um parceiro à distância. A realidade virtual, mesmo ainda distante do posto que ganhou hoje, era mais uma tecnologia a ser explorada para relações sexuais.

Newitz lembra que, em 1982, Douglas Adams, autor O Mochileiro das Galáxias, já havia sugerido a ideia de cibersexo em Life, the Universe and Everything. “Zaphod gastou a maior parte de suas primeiras aulas de história imaginando como ele iria fazer sexo com a garota no cibercubículo próximo”. Com cada vez mais universitários tendo acesso à internet nos anos 90, o cibersexo se tornou uma moda entre os jovens que começavam a namorar a distância.

Mas esse sentido se perdeu com o tempo. A partir do século 21, os desdobramentos negativos em ambiente virtual, como o cyberbulling e o crime cibernético, começaram a dar vazão para discursos distópicos que eram muito comuns já na ficção científica dos anos 80, desde William Gibson até a franquia O Exterminador do Futuro estabelecer de vez a conexão entre cibernética e guerra.

Em 2016, um festival erótico precisou ser encerrado devido ao grande interesse do público em conhecer a pornografia em realidade virtual.

Contudo, durante aquele breve momento nos anos 90, quando a internet parecia uma promessa de infinitas possibilidades, o sexo era apenas mais uma ou quem sabe até uma das principais apostas. Afinal, a indústria erótica é uma das mais atentas às inovações tecnológicas justamente para continuar relevante entre seus consumidores ao entregar novas formas de estimulá-los.

Hoje,mais do que pensar o cibersexo em ambientes imersivos, são os brinquedos eróticos conectados e robôs sexuais que têm chamado a atenção do público que ainda está muito apegado à fisicalidade do sexo. Seja por conta da tradição ou porque talvez ainda não tenhamos simulações suficientemente estimulantes.

O fato é que isso certamente irá impactar na forma como nos relacionamos. Desde a interação com personagens fictícios até, de repente, o uso de gadgets e interfaces que proporcionam uma outra experiência estimulante, ainda que estejamos juntos fisicamente.

E você, como acredita que será a evolução disso tudo? O que acha do termo cybersex e em como ele vai influenciar em nosso futuro? #boracontribuirfs #futurodosexo 

Wanna cybersex? A evolução do termo cyber!

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Sobre o Autor
- Jornalista, pesquisadora e futuróloga