Fidelidade é utopia? Parte III

Dando continuidade a série “Fidelidade é utopia?”, no texto de hoje, ponho em pauta considerações sobre o casamento e os nossos pré-conceitos de fidelidade.

Vamos falar sobre a decisão do casamento.

Aqui me refiro a instituição familiar, seja com contrato assinado ou não. Conceitualmente, o desejo de se estabelecer a “instituição” é o mesmo. Tal fato é perceptível em casais que, mesmo não querendo ter filhos,  quando estão em uma relação estável, morando sob o mesmo teto, se apresentam ao mundo como uma família – com algumas possíveis exceções.

Decidimos nos casar ainda apaixonados… mas depois o que resta, é apenas amor. Quando resta.

Segundo a filosofia budista, não devemos acreditar que amar é prender. Amar é exatamente o oposto. É primar acima de tudo pela felicidade de quem se ama – estejamos por perto ou não. Difícil para a grande maioria de nós, não? Aqui tem um post publicado em nosso site que fala um pouco disso…

Uma das questões envolvidas neste debate é a capacidade de frear certos impulsos, algo inclusive em que mencionei em outro post sobre a educação sexual de nossos filhos. O ato de pensar por si só é percebido por alguns como infidelidade… mas o que é fidelidade no fim das contas?

“A fidelidade é uma construção, assim como o amor”

…Já diria o nosso amigo e filósofo Victor Naine.

A fidelidade leva anos para ser construída e, quando estabelecida, é uma virtude dentro da relação. A fidelidade, na minha humilde opinião, é quase que o ápice da cumplicidade.

E para sermos cúmplices, precisamos nos entregar e aprender a receber. Fomos de fato preparados pelos nossos educadores e sociedade geral para lidar com estes sentimentos complexos?

Infelizmente, percebo para alguns casais – se não a maioria -, a fidelidade é vista como exatamente o oposto: um peso, especialmente para aqueles com alguns anos de estrada juntos. E pior: um peso que só pode ser assumido como peso para terceiros.

A última pessoa em que pensamos dialogar a respeito deste peso é com nossx próprix parceirx. Aqui cabe um lembrete de uma das palestras do Leandro Karnal: “Como é fácil eu ser étic@ diante do olhar da autoridade e do sistema que me dá identidade. Como é difícil eu ser ético fora deste sistema”.

Ou seja, como é difícil ser étic@ quando estou comigo mesm@, permitindo que pensamentos simplesmente fluam e em vez de tentar bloqueá-los, buscar compreendê-los.

A dupla de colunistas complementa – e eu particularmente concordo 100% – “o mal do século (ou seria da eternidade) é não nos conhecermos” em primeiro lugar. Tal frase me lembra o trecho da música “Domingos” de Alexandre Nero: “Obrigada meu amado marido por permitir que juntos possamos vivenciar este sentimento também”. Obrigada casal Victor e Larissa por esta linda inspiração.

É um grande alívio saber que aqui em casa não somos tão loucos assim. Simplesmente somos felizes e sinceros – com a gente mesmo em primeiro lugar!

A verdade pode ser dura, mas ela também nos cura – basta querermos ser curados. A felicidade de um casal pode ser inclusive curtida ao longo deste processo, tão lindo de tão transparente que é. Isso transcende nossas almas.

Antes de negligenciarmos uma série de indícios que levam a crer que “vai dar ruim”, é melhor assumir uma postura  pró-ativa, compartilhando com nossxs parceirxs o que sentimos e explorando o porquê de certos sentimentos.

Isso evita que partamos para ações isoladas e impulsivas, que trazem sérios riscos para a felicidade com nossxs amores – e também com os que moram na mesma casa e serão impactados por tudo isso, como por exemplo os nossos filhos.

Sejamos a mudança que queremos ver no mundo, já dizia o sábio Gandhi. O futuro das relações depende da nossa corresponsabilização no momento presente. Depende de olharmos para a instituição casamento, observando os sentimentos que afloram e suas causas e raízes.

É preciso sair da superfície das relações e aprofundá-las para criar a fidelidade como uma virtude e não como um peso autodestrutivo na relação.

E nas suas relações, o que é a fidelidade: um peso ou uma virtude? Qual o futuro das relações que você quer construir?

#futurodosexo #somostodosresponsáveis

Leia também:

Fidelidade é Utopia? – Parte I

Fidelidade é Utopia? – Parte II

Fidelidade é utopia? Parte III

| Sociedade | 0 Comentários
Sobre o Autor
- Sou, gosto e vivo com gente. Gente boa, do bem, com conteúdo interessante, seja o tema que for, desde que com respeito mútuo - sempre!