Ciúmes, futuro das Relações e sexo

“Tudo é sobre sexo, exceto sexo. Sexo é sobre poder”. Oscar Wilde. Por trás da vida íntima, existe uma série de dinâmicas de poder que, inconscientemente, revelam como expressamos nossos desejos e lidamos com relacionamentos, ciúmes, sexo e parceiros.

Uma das nuances dessas relações de poder está em colocar o ciúme como um ideal romântico. Uma pesquisa da Universidade de Sunderland, no Reino Unido, mostra  que os homens brasileiros são os mais ciumentos do mundo.

Na nossa cultura, a demonstração de ciúmes é muitas vezes entendida como uma prova de amor e uma forma de “temperar a relação”, sem associação a um possível comportamento abusivo.

Outro estudo do psicólogo Elídio Almeida mostrou que 6 em cada 10 pessoas se consideram ter ciúmes em excesso. Além disso, 38% não toleram que seu parceiro(a) sequer deseje ou fantasie algum contato físico com outra pessoa.  Não é à toa que, apesar de relacionamentos abertos se mostrarem uma possibilidade para o futuro, na outra ponta vejamos tantas relações abusivas calcadas na ideia de posse sobre o corpo do outro. 

A Masculinidade num Pedestal

Outro espectro das relações de poder vem da masculinidade como forma de reafirmar uma posição de dominância. E essa é uma dinâmica que não está restrita a relações heterossexuais, mas também em relacionamentos homoafetivos e bissexuais.

“Quem é o homem da relação”? ou “Não me relaciono com “afeminados”, são algumas das expressões – infelizmente populares – que dizem muito sobre a forma como relacionamos o conceito de masculinidade com superioridade, e automaticamente o feminino com o que é inferior e submisso.

Casos de tráfico sexual de mulheres, crimes passionais e agressões a grupos LGBTQI, também revelam que as estruturas de poder vão muito além das nossas relações individuais.

Colocar a masculinidade em um pedestal contribui para a manutenção de tabus e a moralização do sexo, que aprisiona e reforça preconceitos em vez de empoderar.  

Ter poder na vida sexual significa estar confortável com suas preferências, sem se sentir julgado ou ameaçado, mas isso desafia antigos conceitos, do que é ser homem e o que é preciso garantir para ser respeitado.

Sob os pilares morais estabelecidos pelo patriarcado, relações não monogâmicas ou a “inversão” de papéis entre homens e mulheres no âmbito sexual são reprimidas ou colocadas na esfera do fetiche. Toda a sociedade perde ao viver uma sexualidade de aparências: na vida pública, se diz uma coisa, e na privada, as fantasias são outras.

Sobre o Futuro do Sexo, ciúmes e sexo

Se pensarmos que caminhamos em direção a um futuro pautado pela personalização e controle total das experiências sexuais (alô, realidade virtual e robôs), é fundamental questionarmos essas dinâmicas.

Afinal, hardwares e softwares reproduzem os viéses dos seus criadores, e hoje isso significa dar continuidade ao status quó, reforçando estruturas de poder que mantém uma ilusão de benefícios (a poucos), quando na verdade oprimem a todos.

Por isso, é importante se perguntar sempre – isso que parece novo, revolucionário e futurista: quem produz, com quem conversa e a quem beneficia? Assim, fica fácil descobrir se aquele seu gadget novo, app de relacionamento e até o seu portal preferido de conteúdo, conversam com o futuro que você quer ajudar a criar, comprometido com novos modelos de relação e de poder. Ou, não passa de uma aparente novidade, mas que por trás de uma nova roupagem apenas reproduz velhas e tradicionais dinâmicas sociais.

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Questione e escolha, o seu consumo tem tudo a ver com isso: que futuro você quer para as relações? O que você pensa sobre ciúmes e sexo?

Imagem: www.psychalive.org

Ciúmes, futuro das Relações e sexo

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- Nerd sex-positive, acredita que informação é mais poderosa que tabu.