O ciúme deixará de existir nos relacionamentos?

Quantas novelas, filmes de Hollywood, séries e canais do YouTube exploram o ciúme com cenas que vão da comédia ao drama?

Muitas de nós somos expostas ao tema desde a infância de maneira a considerá-lo normal, natural, inevitável, até mesmo uma prova de amor.

O crescimento do movimento feminista e das reflexões sobre o modo como as mulheres são tratadas, contribuiu para que um número maior de pessoas passasse a conceber que ciúmes pode até fazer parte dos relacionamentos, entretanto não deve ser excessivo, nem acarretar demasiado controle e violência.

Mas e se nós cultivássemos outros entendimentos, valores e práticas, o ciúme poderia deixar de existir?

Necessidades por trás do ciúme

De acordo com Marshall Rosenberg (1934 – 2015), psicólogo estadunidense, cada sentimento revela necessidades atendidas ou não atendidas. Imagine que você é um carro e que os sentimentos aparecem como luzes no painel… Algumas delas podem indicar que algo está faltando.

Quais necessidades estariam por trás do ciúme? Convido você a dar uma olhada nesta lista para refletir. Se desenvolvermos clareza sobre nossas necessidades, podemos descobrir meios de atendê-las antes mesmo que a luz do ciúme acenda para nos alertar.

Relações monogâmicas ou não-monogâmicas?

Cinco anos atrás, a psicanalista brasileira Regina Navarro Lins comentou numa entrevista que “ninguém deveria ficar preocupado se o parceiro transa ou não com outra pessoa. O importante é se sentir amado e desejado, além de haver uma boa convivência, é claro”.

Em outras palavras, poderíamos dizer que o importante é que nossas necessidades sejam atendidas. E como já publicado no Futuro do Sexo, a partir do reconhecimento delas, os formatos das relações poderão ir até onde a nossa capacidade imaginativa for capaz de materializar.

Substituição de ciúme por compersão

Compersão é o sentimento de alegria ou felicidade de uma pessoa ao ver uma parceira feliz ao se relacionar com outra pessoa. É creditada à Comunidade Kerista a criação da expressão no inglês, “compersion”.

O termo é mais usado quando a felicidade da pessoa parceira inclui prazer sexual, mas não é restrito a isso. O vídeo mais visualizado do canal “O Lugar”, que trata sobre autoconhecimento e transformação interna, afirma que “o amor genuíno diz: eu te amo, por isso quero que você seja feliz. Se isso me incluir, ótimo! Se não me incluir, eu só quero a sua felicidade.”

Estaria a compersão contida no amor genuíno? E se ele for cada vez mais valorizado e praticado, haverá condições para que a luz do ciúme acenda?

Ao meu ver, quanto mais conseguimos nos oferecer o que necessitamos e desfrutar a alegria que surge disso, mais conseguimos desfrutar a alegria de outras pessoas também oferecerem a si mesmas o que necessitam.

#boracontribuirfs

Você lembra da última vez em que sentiu ciúme? Consegue identificar alguma necessidade da lista por trás desse sentimento? E se essa necessidade fosse atendida, o que você sentiria? Já teve alguma experiência de compersão?

* Neste texto uso o feminino direcionado para pessoas, independentemente de gênero.

O ciúme deixará de existir nos relacionamentos?

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- Por que é assim? E se fosse melhor, como seria? Das perguntas que me movem, essas estão entre as favoritas.

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