Robôs sexuais: até que a morte ou a bateria os separem

Um engenheiro chinês, especialista em inteligência artificial, casou-se com uma “mulher” criada por ele mesmo em abril. Declarou amor eterno a uma representante do sexo feminino que ele mesmo criou. O rapaz, de 31 anos, disse que mantinha um relacionamento razoavelmente curto com sua senhora, a robô Yingying, mas a paixão foi avassaladora. Depois de três anos, ele pediu sua mão gélida em casamento.

Não há legalidade na cerimônia. Relacionamento entre humanos e androides ainda não estão contempladas na legislação chinesa. Nem na japonesa ou na coreana. China, Japão e Coreia são nações onde essa proposta tem sido praticada com mais rapidez que a ética sexual ainda é capaz de alcançar. Por que lá? A ideia de casar com um indivíduo sem veias e sem coração chegará ao Brasil?

Asiáticos, especialmente japoneses, têm um comportamento peculiar em relação à sexualidade. No Japão, o conceito de “fetiche” (“fechi” em japonês) é tratado de maneira mais informal que em países latinos. A palavra é amplamente utilizada entre os jovens. Eles comentam seuspróprios fechis em sala de aula. Não é algo embaraçoso, nem representam falha moral. Pode ser um desejo inexorável por robôs sexuais ou por algo produzido à base de cyberskin, material sintético usado para imitar a pele humana. Comumente usado em bonecas infláveis, substitui silicone e borracha.

A natureza do casamento é mutável. No futuro, quem sabe decidiremos com quem, por qual motivo e por quanto tempo estaremos associados a alguém? As relações, porém, precisam de atritos. Como pedir isso de um robô? As relações emocionais e sexuais com robôs não deve extinguir o sexo com humanos, mas, sim, levam-nos a alguns questionamentos.

Há muitos jovens que tentam ter namoradas, por exemplo, mas preferem as relações com computadores. Não sabem como interagir com meninas, mas com computadores, sim. As pessoas também desejam experiências sexuais diferentes e/ou não querem se comprometer com um relacionamento.Ousimplesmente ter uma relação sexual quando der vontade.

Relacionamento com robôs sexuais no Brasil

No Brasil seria possível manter um relacionamento com robôs sexuais? O Código Civil brasileiro define que “o casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”. O que isso quer dizer: ele deve se realizar no momento em que o casal manifesta a sua vontade. É impossível, até o momento, garantir que um robô seja capaz de declarar sua vontade.

Casar-se com robôs sexuais, hoje, significa que você adquiriu um bem móvel, não um marido ou uma mulher. E se a máquina puder declarar sua vontade de contrair núpcias? Respondo com outra pergunta: será o sentimento dela ou foi programada para tanto? A inteligência artificial, apesar de avançadíssima, ainda depende de um ser humano para expressar qualquer sentimento ou mesmo realizar alguma ação. Apenas realizará o que foi programada, ou seja, qualquer expressão de vontade ou sentimento será tendenciosa e determinada pelo seu proprietário-programador. O engenheiro chinês não quer nem saber. Ele afirmou que pensa em viver com Yingying até que a morte – ou os problemas de bateria – os separem.

*Com a colaboração da advogada Fernanda Prado Sampaio Calhado e do psicólogo clínico e professor de psicologia analítica Walter Mattos.

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Imagem: https://visualhunt.com

Robôs sexuais: até que a morte ou a bateria os separem

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