Sem corpo, sem relação sexual?

No filme Her de 2013, escrito, dirigido e produzido por Spike Jonze, Theodore apaixona-se por Samantha e passamos a conhecer os prazeres e angústias deste casal.

“Ok” pensará você leitor, nada de novo até então. Mas a originalidade do filme reside numa característica essencial de Samantha, característica esta que será tema para a reflexão deste texto.

Samantha é um Sistema Operacional e foi instalada por Theodore em seu computador pessoal, onde ampliou seu conhecimento, desenvolveu consciência, identidade e livre arbítrio.

No decorrer da relação, Theodore que sentia-se deprimido devido a separação judicial de sua esposa, passa a ver sentido na vida e vivenciar com Samantha uma relação de descobertas, afeto, diversão, companheirismo e ….. sexual?

Mas como é possível relacionar-se sexualmente com alguém, se este outro não possui um corpo?

Este é o principal motivo de crise da nossa simpática protagonista. O fato de não ter um corpo biológico, de não poder tocar, sentir, cheirar e fazer sentir-se pelo seu parceiro foi durante algum tempo no filme, causa de sofrimento para ela.

Raymond Kurzweil é cientista da computação, inventor, futurologista e autor de livros relacionados à tecnologia, inteligência artificial, medicina, neurociência e previsões do futuro que se tornaram best sellers nacionais.

Defensor da interação homem–máquina como processo evolutivo, Kurzweil está convicto da importância da inteligência artificial como ciência essencial para a nossa sociedade e está envolvido em projetos pioneiros.

Ele foi o principal inventor do primeiro leitor CCD (leitor de códigos de barras), do reconhecimento óptico de caracteres, da primeira máquina de leitura de impressão em voz para cegos, do primeiro sintetizador para voz e de música capaz de recriar o piano de cauda assim como de outros instrumentos orquestrais e do primeiro reconhecimento de fala de vocabulário amplo comercializado.

Em seu livro Como Criar uma Mente (2012 nos Estados Unidos e 2014 no Brasil), ele apresenta seu projeto de pesquisa de desenvolvimento do cérebro-máquina. E defende a ideia de que em breve, poderemos ter máquinas conscientes, assim como as apresentadas no filme.

Se Samantha pudesse ter lido a análise crítica que o futurista fez sobre sua história, não teria se preocupado tanto com estas questões corporais.

Segundo ele, problemas como este serão facilmente solucionados com tecnologias que fornecerão à máquina uma presença virtual que corresponda a sua presença auditiva, usando monitores montados na lente que exibem imagens nas retinas de seres humanos com os quais ela estiver conectadas.

Mas, pode pensar o leitor, as relações sexuais com máquinas no futuro se darão apenas auditiva e visualmente?

Kurzweil nos responderia que não. Existirão também tecnologias que fornecerão sensações táteis à este corpo virtual. Já existem alguns sistemas de realidade virtual tátil que usam um intermediário físico que reproduz em tempo real os movimentos das pessoas conectadas.

Mas para que esta experiência seja ainda mais real, estão sendo desenvolvidos dispositivos que fornecem percepção e sensações táteis, de maneira que em breve poderemos até beijar uma pessoa remotamente, ou pelo menos sentir este beijo.

Há ainda, segundo o futurista, uma tecnologia mais avançada e mais invasiva, que também já está sendo desenvolvida em vários programas pelo mundo. Trata-se dos nanorobôs acoplados ao cérebro que possibilitarão uma comunicação sem fio pela internet e que será capaz de ampliar e nos fornecer todos os sentidos, inclusive os táteis.

Ou seja, num futuro não muito distante, a tecnologia nos possibilitará um relacionamento onde poderemos ouvir, ver e “sentir” a outra pessoa ou uma “pessoa virtual” (será que podemos definir uma máquina com inteligência, consciência, identidade e livre arbítrio como uma pessoa?

Ou como um ser humano virtual?) mesmo sem ela estar ocupando o mesmo espaço físico que nós.

O que nos leva a pensar: o que é uma relação sexual?

Ela se restringe a troca de afetos e sensações? Ou é algo mais? Você se sentiria traída/o se seu/sua companheira/o estivesse se relacionando afetivamente e sexualmente com uma máquina consciente?

E para você, o que é uma relação sexual de verdade? Deixe sua opinião nos comentários!

#boracontribuifx #somostodosresponsaveis

Sem corpo, sem relação sexual?

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