Swing: fui a um resort liberal e trago más notícias

No final de 2017 passei alguns dias em Cancún, em um resort exclusivo para casais liberais (interessados principalmente em swing). Convidada por eles, escalei meu namorado e fomos descobrir como casais de diferentes nacionalidades desfrutam desse fetiche!

A minha primeira observação aconteceu antes mesmo de chegar ao Caribe. Afinal,como é que eu nunca tinha ouvido falar nesse lugar? Consultei colegas de segmento e descobri que muita gente, assim como eu, também não conhecia.

Curiosamente, o resort existe há X anos e é apenas um de algumas dezenas com essa mesma proposta que existem o redor do mundo.

Achei curioso e sintomático

Chegando lá descobri que o lugar é deslumbrante, assim como a natureza e o mar do Caribe. O atendimento é de outro mundo, a culinária é um dos pontos fortes e o “all included” do pacote de viagens não é propaganda enganosa. Resumindo, é de cair o queixo.

Conversamos com poucos casais, já que uma das nossas preocupações era – como curiosos – não invadir o espaço de ninguém.

Apesar da vontade de saber como cada um deles chegou até ali, entendemos que tratava-se de um momento de intimidade e relaxamento. Por isso preferimos não abordar quem estava atrás de contato com outros casais do meio liberal.

Ainda assim, conversamos com casais americanos, brasileiros, mexicanos e de outras nacionalidades.

É muito curioso perceber que, ainda que eu tenha contato diariamente com casais liberais por meio do Sexlog, aquele pensamento de: eu nunca diria que eles são um casal liberal que gostam de swing, me vinha a mente a todo momento.

Eram pessoas ultra discretas e que, muitas vezes, comentavam como em suas “vidas normais” ninguém imaginava que estavam ali. E como aquela era uma oportunidade única do ano reservada para algumas fantasias.

Chegamos a ouvir a história de um casal que, sempre que tiram férias nesse resort, reservam uma diária em um hotel “normal” pela região para fazer registros de fotos e mandar para a família.

E foi aí que liguei os pontos. Eu nunca tinha ouvido falar do resort porque isso é quase uma exigência de quem frequenta, de que a existência do lugar não venha a tona. E, nas suas falas fica claro que, não há intenção de mudar essa realidade.

Casais de swing: nenhuma vontade em enfrentar tabus

Não existe, entre os casais de swing que conhecemos por lá, nenhuma vontade em enfrentar o tabu em torno das próprias fantasias. São pessoas que estão absolutamente confortáveis em manter uma imagem conservadora no dia a dia e reservar algumas atividades para lugares e momentos “escondidos”.

De certa forma, isso foi um banho de água fria (o que, no Caribe, não é lá um problema tão grande assim, mas eu sabia que aquela realidade duraria só mais alguns dias).

Sob o pornográfico e explícito…

A palavra Pornografia tem origem grega. O termo apareceu pela primeira vez no livro “O Diário de uma Cortesã” que descrevia histórias com orgias e prostitutas.

Ao longo do tempo, o termo acabou descrevendo todas as relações sexuais sem amor. Atenas era, há mais de 2.500, um lugar que celebrava o sexo e a nudez.

Famílias saíam as ruas venerando imagens fálicas e cantando hinos com conteúdos explícitos. Romanos praticavam orgias em banhos públicos.

Foi com a inquisição, no início da Idade Média (século 6), que a luxúria passou a ser encarada como pecado capital. A partir daí, com momentos de maior e menor tolerância, é que o sexo passou a ser visto como algo impuro e proibido.

O que nós todos sabemos é que essa censura nunca deu certo. Ela resultou em culpa (e é contra ela que muitas de nós continua lutando no dia a dia para aceitar corpo, desejos e práticas) e marginalização de tudo que se relaciona com o pornográfico.

Sob o termo erótico e sensual, ainda se permite desfrutar abertamente de certos prazeres, como o do swing, por exemplo. Sob o pornográfico e explícito, são poucos os que conseguem se expor.

Reflexão sobre o quão ainda estamos presos às amarras antiquadas e impostas

E essa viagem me fez pensar em quão presos todos nós continuamos a amarras tão antiquadas e impostas. Em como é difícil admitir que é preciso ter muitos privilégios para manter uma vida de “cidadão de bem” na superfície e desfrutar de um ambiente liberal nos momentos de folga. E como essa realidade é injusta e segregadora.

Fui a um resort liberal achando que encontraria novas direções possíveis para o movimento de naturalização do sexo, mais precisamente do swing, e dos desejos.

E voltei com a certeza de que essas respostas não estão lá. De que precisamos criar novas iniciativas, pensar em quem está aqui e agora sendo julgado por suas práticas – adultas, consensuais e seguras. E que, em pleno 2018, continuamos presos a Idade Média e que um passado ainda mais distante ainda tenha muito a que nos ensinar.

#futurodosexo #somostodosresponsáveis

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Imagem: Desire Riviera Maya Resort

Swing: fui a um resort liberal e trago más notícias

| Comportamento, Entretenimento | 9 Comentários
Sobre o Autor
- Nerd sex-positive, acredita que informação é mais poderosa que tabu.

9 Comentários

  • Andre Narques
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    Foi lá achando que ia encontrar um monte de lavradores revolucionários querendo fazer revolução sexual e dar tapa na cara da sociedade e encontrou pessoas comuns que só querem viver sua vida em paz. Saquei.

    • Fabio Adriano
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      Obrigado Roger. Neste caso é isso mesmo pois ninguém sabe ao certo quanto tempo o Resort existe em função do excesso de discrição de seus hóspedes.

  • Bruno
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    daí que a pornografia foi apropriada pela indústria e é difícil tratar o assunto hoje – falando de liberalidade – sob a lógica da indústria 😉 não nos enganemos. não há liberdade sob o sistema capital.

    • Fabio Adriano
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      Sem dúvida Bruno. Este é um ponto de vista que deve ser considerado. Obrigado por registrar sua opinião aqui em nosso ambiente. Se puder curtir nossa página no Facebook, ficaremos imensamente agradecidos.

  • guilherme Octávio
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    Interessante, não entra na cabeça hipster que as pessoas possam querer viver a sua sexualidade, mesmo que liberal, sem tentar impor aos outros, sem querer fazer disso uma bandeira revolucionária. Eles querem viver a sua sexualidade de forma discreta e no campo do foro intimo.

    • Fabio Adriano
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      Todos os pontos de vistas são muito bem vindos em nosso ambiente Guilherme. Espero que você também possa interagir conosco e expor sua opinião a respeito de outros temas. Fique a vontade para acessar nossa página no Facebook.