Como a TV pensa o Sexo no Futuro?

A TV (seus profissionais, criadores, emissoras) trata o espectador como um voyeur. E é exatamente isso que a pessoa que se posta (prostra?) à frente de um aparelho de TV é. Afinal, ela está, no português claro, espiando. Curioso que, quando resvala no tema do sexo no futuro, a missão voyeurista da TV se intimida — enquanto que a dos espectadores continua à deriva e ladeira abaixo.

Sexo no futuro: a TV vê a temática com a cabeça do século passado

Em pleno terceiro milênio, a produção de TV, mesmo a dos canais por assinatura — teoricamente oásis de criatividade e permissividade —, é careta em relação ao sexo, vê a temática com a cabeça do século passado — e isso não é uma figura de linguagem; nas últimas duas décadas do século 20 a caretice tomou conta geral, não aprendemos nada com as civilizações antigas que lidavam com o sexo como algo essencial e, em muitas civilizações, como algo sacro. Claro. Sexo é e dá vida!

Hoje em dia, salpica, no máximo, aqui e acolá (e são bem esparsas essas salpicadas) um programa que libera uma imagem de um mamilo, ou um rego aprofundado ou uma bunda masculina durinha, peludinha e totalmente desnuda. Ou alguém no banho discutindo questões existenciais. Quando tudo isso deveria estar na Malhação!

Talvez exista um pequeno oásis na grade pixializada das emissoras: o canal HBO com suas produções ousadas que mostram até pelos pubianos de frente, na plenitude de sua encaracolada e natural beleza. Existe até uma máxima entre jornalistas que cobrem essa área do entretenimento: “Ah, é série da HBO? Então vai ter muita gente pelada”. Que bom!!! Afinal, nascemos desnudos, desprovidos de roupas e também de preconceitos, tabus, filtros e ignorâncias. Pode-se dizer que a HBO, com seu True Blood, O Negócio —que, no meu entender, além do delicioso e lambuzado entretenimento, traz uma crítica ferrenha à maneira como encaramos o sexo, como algo tão inatingível, que se torna raro, caro, como uma bolsa de grife de US$ 15 mil — e Game of Thrones, entre tantas outras atrações, contribuiu e contribui, e muito, para introduzir o sexo na programação dominical, que tem as coronárias entupidas de programetes histéricos de auditório e que só reforçam as pechas pejorativa, nociva e preconceituosa que orbitam o sexo (principalmente em nosso país falsamente liberal).

E, por favor, haters, eu estou falando de TV, não de internet. Lá, eu sei — ah como sei — que temos muitos amigos parceiros da prática salutar e essencial do sexo, os queridos PornoTube, RedTube e afins (relevados à pornografia. ATENÇÃO: pornografia não existe! Mas isso é assunto para outro artigo).

O cinema parece lidar melhor com o tema. Ainda que, muitas vezes, goste mais de flertar com o lado doentio do sexo — não que não deva mostrar, mas não precisa reforçar. Sexo não é sujo, não é do mal, não é demoníaco (é… Ás vezes, é. Ui delícia!), não é doença. O doente é o ser humano que usa o sexo como arma, como enfermidade, desvio.

Mas e como será o futuro próximo do sexo na TV? Teremos um Black Mirror Sexual? Seria incrível! Confesso que procurei por aí, mas não encontrei nada muito mais futurista na telinha do que o sexo do filme Cocoon, que é de 1985!

Estamos devendo essa!

Ah, já ia me esquecendo: The L Word, a série americana da ShowTime que tratava abertamente das relações e, portanto, do sexo entre mulheres, diz a lenda (porque a emissora não confirma, mas também não nega) que pode voltar com nova temporada! Isso sim é um “retrocesso” ao futuro do sexo!

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Imagem: visualhunt

 

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Sobre o Autor
- Libertária e humanitária do sexo